Tua carta

  

 Bruno Kampel





Depois de ler a tua carta, meus pensamentos foram tão libidinosos, que meus olhos se encheram de luxúria, a minha boca de sede, a minha calça de manchas, e transformei-me em suor, e vestindo os teus lábios declamei o meu orgasmo em prosa e verso. Depois, adormeci todos os instintos, lavei os olhos, limpei a boca, troquei a calça, sequei o suor, despi-me dos teus lábios, emudeci o meu sexo, e sem ter o que fazer, comecei a relembrar o que escreveste, e meus pensamentos foram tão lascivos que encheram de urgência o meu músculo, de saliva a minha boca, a minha pele de gotas, e o calor do teu suor imaginado, vestindo o contorno dos meus lábios, rezou avidamente as preces mais gemidas. Finalmente, sobrevoando a inconsciência, despi-me de você, trocando a pele, vestindo a indiferença quotidiana, arquivando a tensão e o tesão, ao mesmo tempo em que pensava que você, sem ter nada com que entreter as horas que fluíam, estaria debatendo-se na dúvida, tratando de decidir se ler algo que eu havia escrito, ou sentar-se e escrever algo para mim. Eu, entretanto, enquanto me preparava para ir esquiar, considerava que na volta, com nada urgente me esperando, poderia reler algo do que hoje me escreveste.

 

 


Procure pelo nome do autor, ou pelo título, ou por
palavra avulsa:

 


 

 

Manda esta página a um amigo
  e-mail do amigo:


 



      Mulher virtual       Carnaval        Tua carta  
        O convite    Corpo-a-corpo           Hotel
             Mulher