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Antiqüíssimos fracassos vestidos de smoking. Velhas
reminiscências estreiando ousados decotes. Pesadelos em
preto-e-branco decorando as paredes da noite. Olheiras
amestradas recebendo na porta da solidão a seus
convidados, e num canto do silêncio um par de pacientes
perguntas esperando sentadas pela chegada de alguma resposta
interessante.
No vaso de flores, uma desnutrida orquestra de gerânios
aposentados desafina seus enferrujados instrumentos, enquanto
os dançarinos arrastam melodicamente suas artríticas
derrotas.
Jovens e elegantes mentiras escolhem par entre vetustos e
decrépitos enganos. Robustas desventuras dançam abraçadas a
atléticos desencontros, e lágrimas de segunda mão cruzam suas
depiladas pernas buscando conquistar a un par de olhos que as
acolha. Desde um dos cantos do teto, um casal de atônitas
moscas não perde nenhum detalhe do evento.
Essa a "mise-en-scène" de uma noite de insônia, a qual,
pedagógica como sempre, redige entre aspas a sua parcialíssima
versão dos fatos:
# Olheiras perplexas
deliram perguntas
que roem as unhas
das horas que passam
e estas insones
qual arame farpado
bordam respostas de pedra
que convidam ao quebranto
que doem sem clemência
que ferem sem vergonha
e morrem sem vontade
enquanto a madrugada
esvai-se gota a gota
e o perfil da aurora
entre um bocejo e outro
pendura-se nos olhos
da noite que agoniza
ao passo que a alvorada
cumprindo seu destino
floresce pontualmente
e inventa um novo dia. "
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