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Ela
Bruno Kampel
O dedo na chaga. Disso careço.
Da que o ponha e aperte insistindo.
Da que diga silêncios falados.
Da que afague as carências
e declame veemências.
Dessa que sem olhar receite
o meu remédio. Dela careço.
De estar nela, como sela. Como dela
estar em mim, ser minha pele.
Dela preciso, da dona de meus gritos
e escrava dos meus ritos,
o do tocar aflito, o de somar as
gotas do tempo que molham
a esperança, como o vento.
Enquanto espero, apenas quero
que seja vero. Que nela, que nessa, faleça de amor - em seus ais -
a minha espera.
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